“Quando me aceito como sou, posso então mudar.” (Carl Rogers)

Não sei se se passa convosco, mas acredito que muitos atletas, independentemente da categoria, dedicam grande parte dos dias à implementação de estratégias para controlar as necessidades, as emoções e os comportamentos. Talvez todos vivam assim porque a sociedade, a família e os eventos da vida os levem a essa procura incessante, muitas vezes, sem terem consciência disso – porém, os atletas experimentam a busca em todas essas áreas e ainda mais exacerbadamente no desporto.

Os atletas são altamente exigentes consigo mesmos, colocam níveis e critérios de (auto)avaliação próprios e, para a quase todos, muito elevados. Se a maioria das pessoas, se a maioria das pessoas desde sempre e ainda mais nesta nova sociedade digital da imagem imediata, quer agradar aos outros e chegar às expectativas exteriores, no desporto, em tempos agora mais competitivos e exigentes, os atletas (hoje todos figuras públicas pelas redes sociais) procuram mostrar apenas o seu “melhor lado” – quais super-heróis!
Nada mais perigoso para o próprio e para os seus grupos de seguidores.
Atletas são, antes de mais, seres humanos e os seres humanos são, também eles, seres vulneráveis, pessoas com dúvidas (adultos, jovens e crianças em evolução).
A época em que vivemos – aliás, a realidade que construimos -, atira-nos para uma ficção moldada e enformada pelos meios de comunicação, pelos filtros e pelas stories de um mundo exterior que serve de véu a outras personagens reais sem oportunidade de respirar. (Mais cedo ou mais tarde, asfixiarão se não lhes tirarem a máscara).
Há quanto tempo não és espontâneo? Não impulsivo, mas sim natural!Quando foi que aprisionaste o teu verdadeiro ser para pareceres mais com o perfil de outro alguém que te afasta da tua felicidade?

“Culpa e a vergonha” são conceitos de uma religiosidade que herdamos e que nos deixam sem forças e sem esperança. Tomamos isto por normal por ser o mais frequente. “É a vida!” Encolhemos os ombros e seguimos – seguimos confortáveis porque “a vida é assim” e “eu não sou diferente de ninguém”. Foi isto que a democratização dos meios de comunicação e a difusão em larga escala da imagem privada permitiram: a banalização da miséria humana da classe média.
O ser humano tornou-se miserável e, ao sentir-se dessa maneira, a sua autoestima desceu, os impulsos ganharam força e os posts incendiários, os julgamentos pobres, as críticas ferozes e más e a inveja tomaram conta da vida social digital. “Sim, porque os impulsos são alimentados por emoções e sinalizam necessidades psicológicas por preencher”.
Eu precisava perceber o fenómeno. Não me parecia normal tanta erva daninha. Encontrei explicação na Psico, na Sociologia e até na Biologia.

Acontece que há pessoas que dão por si tão vazias, tão tristes, tão infelizes que tendem a ter comportamentos como:
– agressividade (verbal e física, para consigo mesmas e para com os outros);
– compras (impulsivas e compulsivas);
– distúrbios alimentares;
– ingestão alimentar de produtos nocivos;
– consumo de substâncias;
– inúmeras relações;
– constantes mudanças de trabalho ou de ocupação;
– condução perigosa ou outros riscos.

Se estás aqui, é altura de te alinhares contigo mesmo e com o teu propósito (a felicidade)! A vida não tem de ser assim! Estes comportamentos só te baixam a ansiedade e aumentam a satisfação por breves momentos. Entraste num ciclo vicioso muito difícil de parar onde fatores psicológicos e fisiológicos se reforçam mutuamente. O processo de desenvolvimento pessoal é exigente mas não impossível de atingir.

Antes de mais, é importante :
– diagnosticares os mecanismos que estão na origem e manutenção do baixo controlo dos teus impulsos – o que te leva a dizeres o que dizes, a soltar os dedos para o teclado e escrever o que te dá na real inconsciente gana, a atirares-te para a piscina sem medir o salto, a seguires o outro atleta sem reconheceres o rockgarden;
– compreenderes como funciona o teu cérebro em situação de impulso e de que forma influencia o resto do teu corpo – o teu coração bate mais forte? sentes palpitações? arregalas os olhos? tens pele de galinha;
– usar ferramentas e métodos que te ajudem a lidar com os impulsos, aumentando o teu bem-estar – escutar músicas de vibração positiva, ver imagens de tons apaziguantes, orar, ligar a um amigo, visualizares-te a ultrapassar o desafio de prova com técnica e mestria;
– avaliares as tuas emoções e aprenderes a lidar com elas de forma satisfatória para ti e para as pessoas que te são importantes – da próxima vez que fores tomado pelos impulsos de te quereres impor, aponta os teus sentimentos e pensamentos e aceita que há diferenças, independentemente das tuas crenças e valores;
– dares atenção à tua capacidade verbal e não-verbal de comunicar – ouve-te! Grava as tuas expressões e observa-te de fora;
– praticares formas de expressar o que sentes, o que precisas, o que queres, de dizer “não” quando necessário ou definir limites e fronteiras perante os outros e o mundo – tudo o que queres fazer bem necessita de treino.

Desta forma irás fortalecer a tua identidade, aumentar a tua autoconfiança e criarás ressonâncias positivas no teu círculo social e familiar.

No fundo, o objetivo #ucan é levar-te a conseguir viver de forma plena e de acordo com as tuas necessidades e objetivos, sem a impulsividade que te faz sentir tão mal, sem pareceres ser que és quem, na verdade, não te faz feliz!

Se queres ficar a compreender mais a “impulsividade”, continua a ler o artigo!

A impulsividade está presente em inúmeras situações do nosso dia a dia e, como verás adiante, em algumas situações pode ser a melhor resposta, mas é em momentos muito muito específicos; de resto, ela é corrosiva.
Se ela está contigo a toda a hora, como é que ainda não te deste conta?
Para lá dos exemplos de comportamentos impulsivos apresentados no 4º parágrafo, importa compreender o mais amplamente possível o que é “A impulsividade”.

A impulsividade é, senso comum, confundida com agressividade e imaturidade; no seio científico recebeu um sem número de definições, ora coincidentes, ora contraditórias.
Para o intervenção #ucan no processo de desenvolvimento pessoal, considero as definições dos seguintes autores:
– “comportamento sem qualquer pensamento associado” (English, 1928);
– “uma ação do instinto sem ser retida pelo ego” (Demont, 1933);
– uma ação rápida da mente que não passa por um julgamento consciente (Hinslie & Shatzky, 1940);
– uma ação associada a um nível mínimo de pensamentos sobre ações futuras ou uma ação a partir de pensamentos que não têm em conta o melhor para o próprio indivíduo ou para os outros (Anon, 1951);
– “um comportamento humano sem pensamento adequado.” Smith (1952);
– “ausência de reflexão entre um estímulo do ambiente e a resposta do indivíduo” (Dood, 1990);
– ausência de organização prévia do pensamento (Almeida, Romeiro & Horta, 2005);
– incapacidade do sujeito monitorizar o seu autocontrolo, perante os seus impulsos e ações. (Coles, 1997; cit. por Almeida et al. 2005).

Ao nível das diferenças individuais da personalidade, vários autores chamam a atenção para a adequabilidade da impulsividade, pois esta depende em larga escala das exigências da situação que o indivíduo tem em mãos. A título de exemplo: uma travagem brusca para evitar um acidente exige do indivíduo um comportamento imediato sem deliberação (i.e. impulsivo) e se, nessa situação, o indivíduo fizesse uma análise profunda de todas as opções antes de travar, poderia ser prejudicial ou até mesmo fatal. Por outro lado, existem outras situações que requerem uma reflexão profunda de todas as possíveis respostas, antes da ação.
Assim:
– uma resposta impulsiva adequada a um determinado contexto remete para a noção
de impulsividade funcional onde esta é benéfica;
– uma resposta impulsiva desadequada para um determinado contexto remete para uma impulsividade disfuncional, onde esta é uma dificuldade.
Todavia, quer numa quer noutra situação, as consequências da resposta impulsiva são sempre negativas, pois mesmo quando há impulsividade dita “funcional” o cérebro só reconhece que houve “impulsividade” e esta sai reforçada da situação.
Quanto às formas de manifestação negativa da impulsividade, podem ser de dois tipos:
a) comportamentos de autoagressão, que incluem comportamentos automutilantes, tentativas de suicídio, suicídios, comportamentos de risco (ex: bulimia, anorexia, condução perigosa, etc.);
b) comportamentos aditivos (ex: alcoolismo, abuso de estupefacientes, etc.);
c) comportamentos de heteroagressão, quer estes sejam ao nível físico, verbal quer passivo.

Ou seja, apesar de, sentido lato, ser tomada como uma característica menos boa, em determinadas situações uma resposta impulsiva poderá até ser aquela que é mais “funcional”. Ponderemos os seguintes episódios:
1) o atleta está em prova, lado a lado com o adversário, prontos a entrar num single track sinuoso, numa ravina empedrada. Se não ponderar, rapidamente, a situação, compreender se tem, efetivamente tempo de entrar à frente e ser capaz de atravessar o desafio técnico com segurança, e simplesmente seguir o impulso de medir forças “taco a taco” com o adversário, a) ambos podem cair e lesionar-se; b) pode correr-lhe bem, mas obrigar o outro a ser mais cauteloso ou a cair; c) o adversário pode responder com mais força e ele ficar para trás e / ou cair; etc
2) em prova, quando seguem em pelotão, há uma queda mesmo junto ao atleta, a) o impulso de defesa é preponderante para que evite envolver-se; b) enquanto raciocina o que fazer, já caiu e implicou outros na queda; c) não reage e…
De referir que parto para ambas as situações com atletas treinados e com experiência em prova. Por isto, eu diria que, para compreender de facto o comportamento impulsivo de alguém é preciso ter em conta diferentes enfoques – biológico, social e / ou psicológico.

Tomamos consciência da complexidade de redes que podem ser o background de manifestações da dita “impulsividade” – porque a verdade é essa: os “outros” só vêm ou ouvem a manifestação da “impulsividade” e não têm obrigação de indagar ou de aceitar partindo da premissa de que o indivíduo impulsivo está biológica, social ou psicologicamente justificado. Compete ao próprio trabalhar e procurar auxílio especializado para moldar esta atitude. Caso contrário, imaginemos que estamos em prova e o o atleta impulsivo, face a um atraso da corrida, decide arrancar; ou, perante um obstáculo para atravessar na bicicleta mas que não consegue, maltrata a organização; ou, apesar de saber que é o terceiro atleta melhor classificado, face ao facto de só ser chamado após a sua vez, agride o comissário. Ainda que haja motivo não pode haver impulsividade.

Talvez ajude a compreender ainda melhor o quão complexo é entender a impulsividade, considerando as seguintes abordagens:
– ao nível das neurociências, a impulsividade remete para falhas na resposta a um estímulo provocadas por lesões no córtex frontal (ex. um traumatismo craniano), como aponta Damásio (1994; cit. por Almeida et al., 2005) ou devido a baixos níveis de serotonina, como apontam Barrat, Stanford, Felthous e Kent (1997; cit por Almeida et. al., 2005);
– ao nível da literatura psicológica, numa perspetiva psicodinâmica, a impulsividade é entendida como “uma descarga descontrolada de tensão afetiva, que pode ser de natureza agressiva ou sexual, manifestando-se através do comportamento ou ação precipitada, sem prever as consequências.” Brusset (2001; cit. por Almeida et al., 2005).

No modelo comportamental da impulsividade existem três grandes paradigmas
(Moeller, Barratt, Dougherty, Schmitz & Swann, 2001):

1) paradigmas da punição e/ou extinção, para o qual a impulsividade é definida como a manutenção de uma resposta que é punida ou sem recompensa (Matthys, Goozen, Vries, Cohen-Kettenis, Engeland,1998; cit. por Moeller et al., 2001);

2) paradigmas da escolha/recompensa, para o qual a impulsividade é definida como uma preferência por pequenas recompensas imediatas em detrimento do adiamento de recompensas maiores (Anslie, 1975; cit. por Moeller et al., 2001);

3) paradigmas da atenção / desinibição da resposta, nos quais a impulsividade é definida tanto como um conjunto de respostas prematuras ou como a incapacidade de manter uma resposta. (Dougherty, Moeller, Steinberg, Marsh, Hines, Bjork, 1999; Halperin, Wolf, Greenblatt, Young, 1991; ambos cit. por Moeller et al., 2001).

De modo a incorporar estes três paradigmas na mesma explicação do conceito, a
definição de impulsividade deverá incluir os seguintes elementos:
1) sensibilidade diminuta às consequências negativas dos comportamentos;
2) reações rápidas e não planeadas aos estímulos antes de se completar o processamento da informação;
3) falta de foco nas consequências a longo prazo (Moeller et. al., 2001).
Ora, voltando ao início do artigo, estes três paradigmas estão bem patentes nas inúmeras publicações que habitam perfis das redes sociais; por outro lado, muitos atletas, “imersos” nesta adrenalina moderna, submersos por um sem fim de diretrizes, orientações, planos, etc., estão, pelo menos, a viver num destes paradigmas (se não nos 3).

A definição de impulsividade em que se baseiam os processos de desenvolvimento pessoal #ucan segue esta linha de pensamento e vê a impulsividade como uma “predisposição para reações rápidas e não planeadas a estímulos internos ou externos, sem que o indivíduo impulsivo tenha em conta as consequências negativas que advêm dessas reações, para si próprio ou para os outros.” (Moeller et. al., 2001, p. 1784). Atente-se no facto de que o termo “predisposição” remete para um padrão de comportamento e não apenas um simples ato. O objetivo do método implementado, quer em atletas ou quer noutros indivíduos, das crianças aos seniores, passa por:
– identificação – diagnose, (auto)reconhecimento, consciencialização;
– ativação de comportamentos – imaginação, visualização, “role playing”, construção de oportunidades;
– estabelecimento de objetivos, metas e foco.


De ressaltar que a impulsividade envolve “reações rápidas e não planeadas” que ocorrem antes do indivíduo tomar consciência das mesmas. Esta dimensão da definição separa claramente a “impulsividade” dos “julgamentos pobres” ou dos “comportamentos compulsivos”, nos quais há planeamento e este ocorre antes do comportamento.

A impulsividade implica “não ter em conta as consequências negativas das ações”, o que remete para o facto de envolver risco.

O que caracteriza, então, indivíduos impulsivos?
Será que sou uma pessoa impulsiva e não tenho consciência disso?
Pode o meu filho, o meu aluno, o meu melhor amigo, o meu atleta, o meu treinador ser uma pessoal impulsiva?
Como posso intervir?
A esta altura é ótimo que já tenhas colocado uma destas questões (se não todas).
Pois bem:
– indivíduos impulsivos habitualmente recorrem a comportamentos aditivos, como já referi, como reforço da defesa contra sentimentos desagradáveis que são vivenciados como insuportáveis (raiva, tristeza, culpa, etc.) e, perante um determinado estímulo, vêem-se obrigados ou têm tendência para agir de forma descontrolada, o que remete para o carácter irresistível que a impulsividade exerce neles. Como estas pessoas agem momentaneamente de modo inconsistente com o seu comportamento habitual, as suas ações imprevisíveis – a expressão “nunca sei para que lado está virado” diz-te alguma coisa? Possivelmente já a ouviste ou usaste para com alguém.
– pessoas com maiores níveis de impulsividade são impacientes, na medida em que aquilo a que aspiram querem obter imediatamente; o seu estilo de vida é caracterizado pela inconstância em manter as mesmas atividades por muito tempo, tendo dificuldade em concentrar-se plenamente numa tarefa.

O mundo não é a preto e branco.
Num mesmo indivíduo, pode existir uma multiplicidade de impulsos que este consegue controlar de formas e em momentos diferentes. A título de exemplo: um indivíduo pode ser incapaz de controlar o seu impulso para fumar e contudo conseguir controlar os seus impulsos sexuais. A multi-impulsividade também está presente quando há uma deslocação da mesma, ou seja a pessoa pode conseguir controlar a impulsividade numa determinada área, mas mais tarde esta deslocar-se para ou reaparecer noutras esferas da sua vida.
Por último, a multi-impulsividade também é visível em momentos de grande ansiedade, que podem provocar, em indivíduos com ou sem patologia, comportamentos impulsivos em mais de uma área ou em várias áreas encadeadas.


“Eu nasci assim. Eu sempre fui assim. É assim que eu sou.”
Ainda que haja estudos que encontraram um declínio da impulsividade com o aumento da idade, isto não é o padrão. Ou seja indivíduos mais impulsivos, tendem a manter-se impulsivos ao longo da vida. Se não houver “intervenção” sobre este “traço de personalidade”, conforma fazemos no #ucan, um indivíduo pode passar a sua vida colocando-se a si e aos outros em risco.
Talvez vos interesse também saber que vários estudos têm demonstrado que os homens são, em regra, tão ou mais impulsivos do que as mulheres.

Importa ressalvar que a impulsividade é um espectro e não uma mera classificação de posições extremadas, isto porque “ninguém consegue manifestar um controlo absoluto de todos os impulsos em todas as situações mas, por outro lado, não se pode esperar que alguém tenha uma falha completa no controlo de todos os impulsos em todas as situações.”



Yes, #ucan
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