GREG MINNAAR – DH asas lendárias

Greg Minnaar, na Lousã, impôs-se entre a elite masculina na prova da Taça do Mundo de DownHill Mercedes Benz.

Eu estive a ver. 81. Um atleta de 81 a disputar a Taça do Mundo de DH chama a minha atenção. Esse atleta, aos 39 anos, mostrou o quão competitivo é e logrou a melhor marca do dia.

Provavelmente falamos do “maior ciclista de downhill da história” e eu quis saber mais sobre o que sustenta esta ponta visível de um iceberg de constância bem-sucedida.

Lousão, 2020 – 📷: @svenmartinphoto

 Foi em 1999, com 17anos que Greg começou a dar nas vistas como atleta de downhill de classe mundial e é atualmente o vencedor mais prolífico com: 23 vitórias em Taças do Mundo, sendo que por 3 vezes foi o vencedor da Geral; 3 vezes medalha de ouro, 5 de prata e 3 de bronze nos Campeonatos do Mundo e ainda foi por duas vezes campeão do mundo NORBA.

Ao falar sobre a sua estreia na época de 2001, Greg diz que “Foi um ano louco. Eu tinha acabado de fazer 20 anos e era minha primeira época como profissional. Na última ronda da Taça do Mundo estava em segundo lugar na classificação geral, 28 pontos atrás do meu herói Nicolas Vouilloz (provavelmente o melhor downhiller de todos os tempos). Quem ganhasse ali ganharia a Taça. A pressão era enorme. Havia um salto muito acentuado para uma pedra e eu era o único capaz de fazê-lo. Sabia que poderia ganhar algum tempo ali. Consegui vencer o Nico e vencer a Taça do Mundo.”. Por meio segundo ele ficou à frente do seu modelo que havia sido seis vezes campeão mundial. 

Três semanas depois desta conquista, disputou-se o Campeonato Mundial em Vail (Colorado). Quem segue Minnaar sabe o que aconteceu: ele estava forte, mas a corrente partiu, provocando uma queda agressiva. Ainda assim, terminou a três décimos de outra lenda, Steve Peat. “De imediato terminou Nico que levou a vitória. Eu estava todo enfaixado no pódio com meus dois heróis.”

Isto diz muito sobre o perfil do atleta – não só de Greg mas daqueles que estão determinados a alcançar grandes feitos.

Na verdade, quando ficamos a saber sobre a experiência de Greg no DH (o seu primeiro amor), percebemos quais os valores deste homem. Quando na escola solicitaram aos alunos que angariassem dinheiro, alguns fizeram bolos, outros rifas, etc. Min pediu ao pai que lhe construísse uma rampa para que ele pudesse saltar por cima de alguns carros. Impressiona como, tão jovem, Greg desenvolvia já capacidades de gestão de tempo, rigor, eficiência e definia planos que lhe permitiam potencializar-se e maximizar as aprendizagens – consequentemente, os resultados.

Onde há dom, o trabalho é para a excelência. Numa entrevista de 2004 a propósito da competição, apesar do sucesso que já havia alcançado, Greg disse: “Nas últimas duas épocas, abordei o treino de uma forma muito mais metódica. Eu costumava confiar na habilidade, preparação física para corrida e um pouco de cross-country. Agora, com um treinador profissional, levo um pouco mais a sério a minha preparação e acho que as épocas de 2003 e 2004 mostraram que isso funciona para mim. Essa é a principal razão do meu recente sucesso. No entanto, tenho muita sorte em estar numa das equipas mais profissionais e bem apoiadas, com uma excelente máquina nova equipada com pneus e todos os componentes que escolhi usar. Não tenho dúvidas sobre o meu potencial de desempenho quando me preparo para começar uma corrida, porque o pacote completo está lá.” Desta declaração demarco a mente aberta do campeão, a disponibilidade para a aprendizagem constante, o método, a confiança nos recursos (em si mesmo, nos outros, nos materiais).

Quando questionado sobre se os diferentes rivais alteram a estratégia, reforçando as características de sucesso acima identificadas, ele respondeu: “Sim, um pouco, encontro sempre novos pontos fracos que tenho que trabalhar fora de época. Posso sempre melhorar. “

Ainda nessa entrevista perguntaram-lhe se se encontrava nervoso por ter uma mota nova e por representar uma equipa tão prestigiada como a Honda. A resposta de Greg basta por si só: “Na verdade não. Pensei muito sobre esse assunto [mudar para a equipa Honda] no final de 2003 e decidi que seria emocionante mais do que qualquer outra coisa. Eu não estou nervoso, apenas animado por ter esta oportunidade maravilhosa.” O facto de Minnaar atribuir um significado positivo e adequado, ajustado, às novas situações com que se depara permite-lhe não só não se desgastar desnecessariamente como retirar ainda mais motivo para a ação.

Greg Minnaar vence en casa en 2013
© TYRONE BRADLEY/RED BULL CONTENT POOL

O entrevistador afirma que Greg, sendo o Campeão em título, será o homem marcado pelos outros atletas durante a época e questiona-o sobre essa pressão adicional. Uma vez mais, o atleta analisa a realidade por uma outra perspetiva e diz: “É engraçado, eu nunca me senti como um homem marcado. Às vezes, sinto que sou um dos favoritos para vencer, mas nunca um homem marcado. Usar a camisola arco-íris é uma grande honra e acho que às vezes me leva a dúvida – se é que havia alguma dúvida na minha mente. De muitas maneiras, sinto menos pressão. Ganhei todos os títulos principais nas corridas de downhill e cabe aos outros pilotos tirá-los de mim – isso é pressão para eles. Não pretendo parecer arrogante quando digo isso, é mais uma questão de perceber que a pressão está baixa agora para qualquer título ilusório. Agora posso concentrar-me em tirar o máximo de mim, das minhas bikes e da minha carreira. É uma boa situação estar nesta fase da minha vida.” A pressão é um conceito, um termo, um signo; carregá-lo com um significado que nos liberte e nos faça avançar está ao alcance de todos – se já faz parte da nossa predisposição mental, fantástico; mas a boa notícia é que esta “atitude sobre as palavras” pode ser praticada.

 “Não posso dizer que gosto da pressão, mas por alguma razão que não posso explicar, sou capaz de lidar com isso melhor do que outros pilotos. “(Greg Minnaar, 2013)

Neste trabalho de descoberta das características a mimetizar da lenda do DH, encontrei também os momentos menos bons e impressiona a forma consciente como são aceites e transformados em aprendizado por ele.

“Fort Will foi uma deceção completa para mim, cometi um erro que acabei por pagar [6º]. Mont-Sainte-Anne escorregou por entre os dedos e terminei em segundo… Mas um segundo lugar amargo porque eu tinha perdido a paixão de competir na luta pela vitória, e isso voltou a acontecer em Windham [9º]; foi o resultado de usar a motivação errada para competir.” A motivação não pode ser o resultado. A motivação tem de estar na aprendizagem, na conquista, na melhoria de capacidades técnicas e mentais, no aperfeiçoamento dos movimentos mecânicos… O motivo errado, o motivo que não está alinhado com os valores pessoais, mesmo num atleta exímio como Greg pode levar à frustração.

Sobre a possibilidade de quebrar o recorde de corridas vencidas na Taça do Mundo, em 2013 Greg falava assim: “Não é uma meta que estabeleci para mim mesmo, mas adoraria alcançá-la ao longo do caminho”. Nesta frase é evidente a noção de “Plano de Ação” (há um ponto de partida e um ponto onde se quer chegar através de um processo em que se cumprem tarefas para ultrapassar metas). Ele mostra valorizar o processo, todas as vitórias que vai alcançando ao longo do caminho e diz: “Elas são especiais para mim por diferentes motivos. As duas que mais amo são o Campeonato Mundial de 2012 e a vitória geral na Taça do Mundo de 2001. 2012 porque demorei nove anos e muitos segundos lugares a conquistá-la novamente. 2001 porque eu estava a competir com aquele que era 10 vezes Campeão do Mundo e consegui derrotá-lo. Poucos pilotos podem dizer que lutaram com Nico Vouilloz e que foram vitoriosos.”

# 7 vitórias em Fort William
© BARTEK WOLIŃSKI

Esses sucessos repetiram-se ao longo dos anos. A questão, a esta altura da leitura, parece ser: então, como é que ele se mantem durante tantos anos nesse nível de competição e motivado?

“Luto para melhorar o meu nível. Nas competições, sou duro comigo mesmo. Concentro-me muito. Nos treinos, vejo adversários que me passam e penso: ‘Eles voam!’»

A concentração é importante e uma ferramenta ainda mais forte quando aliada à capacidade que Greg nos demonstra de transformar dúvidas em impulsos para a vitória. O campeão diz: “Nunca me considerei um piloto rápido. Eu não acho que o seja a um nível superior.” Min faz da sua humildade a principal motivação, alicerçada num talento extraordinário, é certo.

Exemplar e de um altruísmo único a forma como partilha abertamente a técnica que usa para se superar: “Acontece em todas as corridas, é algo que não consigo controlar: depois de ver quem me ultrapassa da 20ª posição na classificação provisória, digo a mim mesmo «Nossa, este fim-de-semana estou com os atrasados!» Acho que é daí que vem a paixão pelo downhill, quando sei que tenho que ganhar tempo numa seção. Alguém vai fazer isso, então é possível. O meu pensamento na vida é que se alguém pode fazer isso, eu também posso. Se tu colocares a mente em algo, tu serás capaz de fazê-lo.” Não penso que Greg soubesse que acabava de apresentar um dos pressupostos da Programação Neurolinguística, mas a verdade é que ao dizer que “se alguém fez é porque é possível” ele demonstra que os limites estão nos pensamentos de quem se limita, que só não é capaz aquele que afirma não ser capaz!

“Provavelmente é uma fraqueza não ter mais confiança, mas ao mesmo tempo penso que é um dos meus pontos fortes porque me leva a trabalhar mais e a ser mais meticuloso. Cuido de todos os detalhes e procuro não perder nada. Talvez fosse melhor para mim ter mais confiança, mas assim também não faz mal”. Não só não faz mal como, bem pelo contrário, se provou ao longo dos anos uma estratégia que aplicada no contexto certo lhe traz resultados de excelência. É maravilhosa a harmonia entre o respeito pelos adversários, pelo exemplo e prova viva que estes são de que é possível fazer algo, o modelo a superar que eles são e, simultaneamente, como são motivos para a ação (motivação) de Greg. Há aqui método. Há prática. Há implementação de ações e análise dos resultados obtidos. Greg não tem falta de confiança: Greg confia no que sabe que tem que ser feito porque funciona para ele.
Sem zona de conforto, alimentado pelo desejo, controlar o risco é outra habilidade essencial para quem tem dezenas e dezenas de pódios na Taça do Mundo.

“Se tudo correr bem, a adrenalina é incrível”. “Adrenalina” e “Medo” parecem ser combustível de alta qualidade para os atletas de alta performance. Não vale a pena gastar energia tentando negar ou afastar o medo. A estratégia é a “aceitação” e a “rentabilização” com “concentração”. De forma bem transparente Minnaar diz: “Sim, existe medo. O medo impede-te de relaxar, ajuda-te a concentrares-te. Tu deves calcular o risco, pelo menos eu faço isso. Se não me sinto confortável numa seção, dou 99 por cento do meu melhor, mas se estou confortável, dou 110 por cento. Tu nunca vais ganhar uma corrida se vais a 100 por cento. Tens que ser mais exigente. Estás sempre em modo de ataque, mesmo quando vais com a máxima segurança”. A questão do “medo” nos atletas carece de ressignificação. O medo existe como uma proteção, uma sensação que tem o objetivo de nos manter em segurança e isso é positivo. Agora, quando o medo nos limita de atingirmos os nossos resultados, quando o medo condiciona e arruína todo o processo desenvolvido e a realização pessoal, quando o medo limita pensamentos e comportamentos, então é nesse “medo” que tens que atuar: tu, como Greg, podes dar um sentido positivo e potenciador ao “medo”.  A isto chamo “A habilidade de usar o medo”.

“Open Mind”. Quantas vezes já leste estas duas palavras naquelas imagens motivacionais que proliferam nas redes sociais? Aquelas palavras desprovidas de um sujeito que as execute não passam de abstrações. Mas Minnaar tem a mente muito aberta, como podes constatar, e é capaz de ver oportunidades tanto na carreira de piloto como nos negócios. Tal como o próprio disse “Se alguém pode fazer, outro alguém pode fazer também.” A “mente aberta” pode ser ou não inata, mas a “mente aberta” é com toda a certeza um “mind set” que resulta de trabalho pessoal com foco de proatividade; mente aberta só existe em que se educa, em quem aprende, em quem busca informação para a processar e transformar em conhecimento contributivo.

Greg Minnaar em Fort William 2017

Entre os pressupostos da Programação Neurolinguística surge aquele que nos indica que “O Aprender está no Fazer”. Assim, observe-se a garagem de Minnaar cheia de “brinquedos” – há um carro 4×4, duas KTMs 250cc, equipamento de motocross e ciclismo, bicicletas, … O que é que isto nos mostra? O nosso herói gosta de se manter ocupado. Não há espaço para “distrações” numa mente que se mantém ocupada e num corpo ativo. Todas as coisas que Greg faz, mesmo fora da competição, são tempo rentabilizado, com transfer para o seu propósito maior. Nos treinos ele mistura corrida, ginásio, bicicleta e motas (além do golfe e do surf). Tanta versatilidade é um produto e uma reação ao que é: um piloto com DNA de competição. Tanta versatilidade é um Ser com CHA (conhecimento, habilidade e atitude). “Correr é a minha vida. É a única coisa que fiz desde muito jovem. Amo competir. O desafio motiva-me. Tento sempre voltar a vencer. Mas é difícil, tens de saber quais são os teus pontos fracos e trabalhar neles. Tu nunca podes baixar a guarda ou contentares-te. Não deves parar de melhorar”. Poderia ter começado e terminado esta reflexão sobre “o inspirador multicampeão” por aqui. O que leva a que aos 39 anos Greg esteja na Taça do Mundo com uma prestação assombrosa é esta disciplina: com consciência e honestidade atrever-se a conhecer-se; assumir os recursos que tem e agir para reunir aqueles que serão necessários. Aquele que trabalha com factos e explora soluções não tem limites. Alguns de vocês podem dizer que o “boss” estabeleceu padrões comportamentais realmente elevados. Eu ganhei em Greg Minnaar um modelo por ele ser aquele vê algo que precisa ser feito e não vê razão para não ser ele a começar a trabalhar. É tão simples quanto isto!

Tão simples quanto a natureza de Min. Aliás, ao ler um parágrafo em que ele fala sobre as suas origens e alguns hábitos, logo encontrei traços de personalidade distintivos: “Quando se vem de um lugar como Pietermaritzburg, é normal ser-se humilde. Nada é presunçoso lá. É uma das coisas de que gosto em Maritzburg, as pessoas não se importam com disparates. (…)Lembra-te de que se podes gastar dinheiro em bebidas à noite, também deves de poder dar gorjeta durante o dia.”

A mentalidade de Minnaar é tudo menos provinciana: “Nunca busquei a fama. Só queria competir com a minha moto e dar o meu melhor ”.

Gratidão! Estou muita grata por saber que existe um atleta assim, capaz de tanto e de contagiar positivamente tantos!

“Os meus dias estão completos (risos). É assim que gosto de viver, embora também goste de me deixar ir.” (Greg Minnaar)

Mr Min também é Mr Cool
© BARTEK WOLIŃSKI

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