Gratidão: o meu testemunho do treino de hoje!

Pelos dias que correm, «pratique a gratidão», «seja grato», «deixa que a gratidão te guie» e outras tantas orações com palavras da família de “agradecimento” proliferam pelos vários canais de comunicação social.

Pode ser moda? Pode! E, se o for, como qualquer moda, há que usar para não destoar! Pode ser retórica? Pode! Mas, de tanto repetir a palavra, alguma ação há de surgir.
Hoje foi assim: eu testemunhei, em benefício próprio, os resultados de ter sido grata – e não, não estou a falar de ideias, pensamentos ou sentimentos; tudo aconteceu de modo bem prático, visível e mensurável (que os dados do TrainingPeaks não enganam).

Em mais de 10 anos a treinar diariamente, sem nunca ter falhado um treino, sem nunca ter alterado um treino, sem nunca ter (auto)sabotado um treino que seja, hoje, pela manhã, eu não queria sair da cama – eu não queria tirar o cadáver adiado do seu leito-; hoje, pela manhã, para me arrancar daquele cenário, fui grata pelo que tenho e pelo que não tenho, pelas adversárias que já tinham saído para treinar, pelo boa granola que me esperava para o pequeno almoço e lá saí da cama! Calma: o retorno da gratidão intensificar-se-ia muito, muito mais ao longo da manhã!

Uma hora depois, estava equipada e pronta para sair mas, quando chego à garagem, a bike tem o pneu vazio. “Ok: é um indício de que hoje é mesmo o primeiro dia em que não treino! A vida está a dar-me um sinal de que é altura de mudar o rumo!”, poderia ter sido um ponto de vista sobre e realidade. Porém, eu ainda não estava convencida de que a altura para o “ponto final” tivesse chegado e o meu ponto de vista foi outro: “Deus está a testar-me, a avaliar até que ponto eu estou decidida e determinada a sacrifícios por aquilo em que acredito, por acreditar em mim!” Por isso, adivinhem o que aconteceu. Saí para treinar! CALMA! Não, ainda não é aqui que eu sinto o poder da gratidão – gratidão por ter uma bike (por antiga que seja), por ter um marido que sai do trabalho para me vir ajudar, por ter saúde para fazer desporto (pelas limitações que possa ter).

Saí para treinar mas saí em modo automático – afinal, são quase 15 anos a fazer isto e, depois de ter estudado e visualizado o plano de treino, a mente já tinha programado o corpo para o que teria que cumprir (ainda que em modo zombie). Eis que, mesmo no final do calmo aquecimento, quando (verdade seja dita) derrotada como nunca, vejo um belo “dum ciclista” que, todo “XPTO”, saca do seu “geli”, espreme-o como quem não tem mais força para sufocar o esforço e, com a mesma garra viril, atira com o invólucro para o lado! Isto também já era demasiado! Que a vida me mande desafios em morse (que me estou a ver à nora para deslindar) ainda vá que não vá, mas agora que me atire à cara ações que vão contra os meus valores, isso já é demais! Sim, eu sou grata por este planeta, pelo ar mais respirável em Portugal do que noutros países, pela pureza que ainda se encontra em Guimarães e de que outras cidades não gozam e foi este sentimento que me levou a sair da zona de conforto de estar a “cumprir um plano de treino sonâmbula”! Aquela atitude fez-me despertar e, por isso, eu sou grata àquele caríssimo ciclista!

Acordar para o treino é apenas metáfora daquilo para que despertei. Por isso, estou-lhe grata! O meu agradecimento por me saber capaz de, já com umas centenas de metros de avanço, com o bom ritmo que ele levava (ou não estivesse na altura de meter um gel), tendo que parar para apanhar a embalagem vazia, ter seguido no seu encalço até o alcançar. Sou-lhe grata por me relembrar de que não há nada mais ingrato para com o Criador do que negligenciar os dons com que me presenteou!

Quando cheguei ao seu lado, com sorriso e serenidade, saudei-o, disse-lhe que tinha deixado cair algo e devolvi-lhe a espremida embalagem preta e roxa. Ficou surpreso. “Deixei cair algo?” Não sei se o fez intencionalmente ou não! Atenção: não sei mesmo! Podia ter achado que o tinha “atirado” não para o chão mas para o bolso. Não faço julgamentos – há tantas realidades tantas quantas as pessoas que as criam! O certo é que ele não disse mais nada e seguiu a minha roda. Mas eu não ia pelo mesmo caminho que ele!

Voltei ao meu treino, grata, muito grata por ali estar! Cumpri com rigor e superei as técnicas que poderia por em prática para os objetivos do treino – porque os tempos e os watts a que o coach manda andar eu não desrespeito – o respeito é, também ele, um valor que nos traz muitas recompensas.

Gratidão também por estares a ler esta página de diário e a partilhar da minha experiência de hoje!

www.facebook.com/ucandesenvolvimentopessoal

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.