4 islands MTB Stage Race UCI S1

4th place women elite

4islands MTB Stage Race UCI S1 vai com toda a certeza marcar a presente época. Já conhecia o nome da prova porque o meu amigo Janez já me tinha proposto fazermos dupla quando participei no seu evento de XCO UCI C1 em Kocevje, Eslovénia, mas, de resto, nunca tinha visto mais nada sobre a prova até a fortíssima Lorenza me convidar para fazer dupla com ela. Apesar de competir no dia 7 de Abril a WMS em França, vocês já me conhecem e não podia perder esta oportunidade de pedalar com um ídolo. Foi uma experiência de amizade e irmandade fantástica e ainda seguramos bem o 4º posto, pondo em causa, várias vezes, o pódio!
Bem, quanto às características da 4islands: pedra, pedrinhas, pedras ainda mais pedras e calhaus… tantos calhauzitos!!! Nossa! Não são PEDRAS como as do Mediterranean Epic (que são mais técnicas e ao estilo Enduro): aqui sente-se que muitas populações distintas passaram por este território e foram sempre destruindo o que lá estava e construindo algo novo. Resultado? Pedra e mais pedra solta…
Assim, não vamos dizer que é uma corrida para todos… porque – não é!
Mas é uma corrida para os fãs de MTB prontos para experimentar uma mistura poderosa de singletracks de tirar o fôlego, dor e prazer, parceiros e rivais e a corrida onde todos aqueles que alcançam a linha de chegada são vencedores (particularmente se não furarem! Nossa, quanto atleta parado, alguns mais do que uma vez na mesma etapa, com furos! Graças às mousses da Elementar Cycles que a Casa Myzé me colocou, não furei!).

Vocês que me conhecem, sabem que não tenho por hábito comparar provas (da mesma forma que não comparo água com gás com água natural: são diferentes e acontecem de formas diferentes). Logo, não vou dizer que esta é a corrida mais difícil de sempre … provavelmente não é! Mas também não vou dizer que é fácil! Torna-se muito dura, dia após dia devido à diversidade do terreno, subidas íngremes, descidas rápidas íngremes e tecnicamente exigentes e à vontade de largar travões (que às vezes leva a um Rock and Roll crazy).

O ritmo da nossa corrida foi bem forte. Desde o dia do prólogo que deu para perceber que ninguém estava ali de férias e que a luta seria até à passagem na meta na última etapa. Ainda assim, deu para de quando em vez soltar o olhar da roda da Lorenza e contemplar a beleza única que me abraçava: os longos de caminhos solitários no litoral com subidas íngremes até aos topos das montanhas, uma natureza virgem e aldeias com mais de mil anos… Oh, sim… no que à beleza diz respeito, eu posso dizer que esta corrida é uma das mais belas (e eu já competi numas boas mãos cheias de lugares no mundo!).
Não sei se é da pedra, não sei se é do branco da pedra, mas há, sem dúvida, uma beleza crua e dura quando o olhar se alonga pelo percurso. Ou talvez seja o Adrático e o facto de, de ilha em ilha ( Krk, Rab, Cres e Lošinj ) , ter a vontade de chegar à beira-mar, chegar ao porto seguro, cumprir a prova, terminar e abraçar… Nada supera o ar limpo do mar, perfumado por pinheiros, lavanda, sálvia e outras ervas medicinais que crescem nesta parte da Croácia, enquanto o som das ondas que lavam os seixos da praia é acompanhado por um coro de grilos e música local na taverna enquanto o sol afunda no horizonte.

Parece poesia, não parece? Eu diria que é pura Epopeia Lírica: há uma batalha a travar e o sujeito está prisioneiro nele mesmo pelo lugar maravilhoso que o amarra.


Mas é mesmo assim porque a 4 islands tem lugar nos circuitos que foram construídos por pioneiros, muito antes de nós, começando com as estradas de comércio do Império Romano em todo o Adriático, cerca de 2000 anos atrás, em seguida, por tropas napoleónicas que construíram uma estrada na ilha de Lošinj no século XIX, uma na ilha de Rab construída pelo lendário engenheiro florestal croata e montanhista Ante Premužić há quase 90 anos, e todos os pequenos caminhos que cruzam as montanhas e ilhas da Croácia que foram construídos por pastores locais, montanheses e comerciantes ao longo da longa história dessas partes .

E, sejamos honestos, é sempre preciso uma grande dose de loucura para aceitar um convite para competir quando esse convite vem duma grande atleta e quando é para uma prova com essas características! Certo? Mas eu vim parar ao sítio certo!

Certo porque todos aqui, a começar pela exímia organização, são malucos por BTT!!! Somos todos um bando de malucos a subir e descer montanhas e singletracks na floresta, a saltar nos penhascos e cujas canelas estão cheias de cicatrizes.
No fundo, debaixo daquele bronzeado que só vai até à zona dos óculos, do capacete, da manga do jersey, da perna dos shorts e da meia no pé, há uma alma delicada. Nós apreciamos as coisas boas da vida. E fazer amigos foi uma dessas coisas! Partilhar as 24horas do dia com a Lorenza foi uma dessas coisas! Saudar a caminho do pequeno-almoço foi uma dessas coisas. Aquecer antes da etapa, entre um gel e piadas, foi uma dessas coisas. Superar registos do trainingpeaks foi uma dessas coisas. Dar uma frase de motivação para me animar a mim própria foi uma dessas coisas. Olhar fixamente a Lorenza, agradecendo aquele empurrão num topinho difícil, foi uma dessas coisas. em uma difícil subida ou ensinando-os a descer ladeira abaixo sem faceplanting sobre A emoção de ver a linha de chegada e abraçar a minha colega de equipa até lhe deslocar o ombro.As memórias e amigos feitos fazem com que queira estar de volta na 4 islands em 2020.

Estou imensamente agradecida:
– à Lorenza por esta oportunidade e pela forma como cuidou de mim;
– à Centro Bike Val di Sole Team;
– à minha equipa Casa Myzé Team e aos seus mecenas.

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