Prévot fez história no Tour de France Femmes 2025

Pauline ganhou o Tour de France Femmes. Mas o que muitos comentaram foi… o peso dela.
No profissionalismo, conta cada grama. No amadorismo, conta a saúde.
Concordas? 🚴‍♀️💬

Pauline Ferrand-Prévot fez história no Tour de France Femmes 2025. Venceu com autoridade, ultrapassou as montanhas mais duras e mostrou porque é considerada uma das melhores ciclistas da atualidade.

Porém, uns quantos (muitos), em vez de celebrarem a sua atuação, o desempenho, a sua técnica, a sua garra, a sua preparação… muitos (demasiados) preferiram falar… do seu peso.

Não fossem estesconteúdos em massivo loop e eu não estaria agora ao computador a escrever sobre isto… Porque, para mim, só houve uma excelente exibição de uma atleta e de uma equipa! Ponto! Ciclismo no seu melhor e do melhor!

vamos então aos factos e àquele que foi um exímio trabalho de preparação.
Ao longo da época, Pauline perdeu 4 kg. Não foi por acaso, nem por vaidade: tratou-se de uma decisão planeada, devidamente estudada e calculada, desenhada com apoio de ponta de médicos, nutricionistas e treinadores, para melhorar a performance nas subidas, especialmente no Col de la Madeleine. Deixa-me sem chão e perplexa que no pelotão masculino, estratégias idênticas sejam mais do que banais e comuns e raramente (se não “nunca”) questionadas. Aqui, porém, surgiram críticas sobre saúde, imagem corporal e até insinuações de desordens alimentares — um duplo padrão que continua a marcar o ciclismo feminino.

Como fã da atleta, vi Pauline a exagerar-se em stories com comida e também sei que a mesma procurou sossegar os ánimos ao declarar que “este corpo era temporário, fruto de um objetivo muito específico, e não um padrão a manter”.

Todavia, aqui não me importa tanto a pessoa mas sim expôr a pressão extra que as mulheres enfrentam no desporto: cada escolha física é dissecada, enquanto o mérito desportivo fica em segundo plano.


Profissional vs. Amador: a linha que separa dois mundos

No alto rendimento, cada grama conta — mas conta também o conjunto de recursos com que @ atleta conta, a rede que @ apoia: o suporte científico, o controlo rigoroso e a segurança do atleta. A perda de peso de Pauline foi acompanhada de perto por especialistas, monitorizada com dados, ajustada ao milímetro.

No ciclismo amador, a realidade é outra:

  • Não há equipas multidisciplinares a acompanhar cada refeição ou treino;
  • Não existe obrigação de sacrificar saúde e prazer em nome de segundos no cronómetro;
  • A prioridade deve ser evoluir com prazer, consistência e respeito pelo próprio corpo.

É aqui que está a fronteira: o profissional tem no ciclismo a sua profissão; o ciclista profissional tem de ser o melhor trabalhador; é seu dever trabalhar no limite, com segurança e supervisão; o amador pedala para viver melhor — e não “vive para pedalar melhor”. É esta a antítese dos dois mundos.


E agora, a pergunta que não quer calar

Será que está na hora de mudarmos a forma como falamos do corpo no desporto?
Ou será inevitável que, no alto rendimento, o debate sobre o físico esteja sempre em cima da mesa?

Deixem a vossa opinião nos comentários — vamos pedalar esta conversa juntos.

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