Pretorian Bike Race, um caso de Marketing?

Pretorian Bike Race XCS S2 – Prólogo 1 I Fotografia Eduardo Campos / Ciclismo +TV

Eu gosto de ler. Gosto de aprender. Dou por mim a estudar de tudo. Ora, quem se lembra dos quase 7 milhões de veículos, de vários modelos, que a Toyota recolheu depois de terem sido detetadas várias falhas de segurança? Na altura, a fabricante referiu em comunicado que aqueles defeitos poderiam causar problemas de segurança aos ocupantes. Aquilo que poderia parecer um “fiasco” tornou-se numa campanha positiva da marca que assim mostrou aos seus clientes que a segurança destes é a sua prioridade, está acima do lucro, e, consequentemente, resultou num “caso de Marketing”.

A 1ª edição da Pretorian Bike Race tem tudo para também se tornar num: a comunicação entre a organização e os inscritos foi sempre garantida de forma próxima, mais do que coloquial, familiar; o contacto entre a organização, participantes e comunidade envolvente foi estabelecido com uma linguagem agradável (a, até, afetiva); quando houve necessidade de tomar decisões, estas foram feitas pelas autoridades comissionadas e tiveram como alicerce a comunicada preocupação com a segurança dos corredores por parte do staff organizativo.

Mas vamos aos factos:

– Pretorian Bike Race XCS S2 apresentou-se no calendário UCI como um evento enquadrado nas Stage Races (provas por etapas);

– No dia 16/03, pelas 22h38, foi publicado na página oficial do evento no Facebook  o Comunicado do Painel de Comissários dando conta de que “Em resposta à situação meteorológica vivida durante a Etapa 1 e à previsão incerta para a Etapa 2, as seguintes mudanças foram feitas no horário de amanhã: início do evento atrasado, com as boxes a abrirem às 9:00 e a corrida a ter nova hora de início às 9: 30.”;

– No dia da etapa 2, pelas 9h08,, quando já equipas e atletas estavam no local da partida, surgiu novo comunicado do painel de comissários informando de que “Em resposta à inesperada forte queda de neve durante a noite, com especial incidência em parte do traçado da etapa, colocando em causa a segurança dos atletas, dada a enorme possibilidade de ocorrência de hipotermia, impedindo ainda o acesso por carro às zonas técnicas e de alimentação no interesse da segurança, não existiu outra possibilidade do que senão alterar a etapa de hoje da seguinte maneira: O evento repetirá o Contrarrelógio de ontem, usando uma versão ligeiramente modificada que adicione aproximadamente 3 minutos de tempo de duração. O início da 2ª Etapa será às 14:30, no mesmo local da Etapa 1, no Município de Vila Pouca de Aguiar.”

– No mesmo dia, 17/03, o painel de Comissários viu-se ainda obrigado a fazer um novo comunicado, segundo as extremas intenções da organização de que o evento não fosse anulado / cancelado, em que se pode ler que “Como resultado da queda pesada de neve e apesar de um degelo fixado hoje, considerou-se necessário encurtar o percurso para remover as áreas sujeitas à queda de neve mais pesada e no caso de haver uma nova queda esta noite. Antecipamos que com estas alterações não haverá necessidade de fazer mais mudanças. A Etapa 3 usa o mesmo percurso e começa e termina como anunciado no RACE BOOK tendo agora 55 km de distância, com as ZT / TZ 1 e 2 na mesma na localização do RACE BOOK.”

– A etapa 3 viria a ser anulada com conhecimento posterior para muitos dos atletas que a terminariam.

Ou seja, aquela que seria uma prova por etapas de longa distância ficou resumida a dois dias, dois contrarrelógios. Coroações, pontuações, prémios monetários atribuídos com a devida autoridade de quem de respeito.

Todavia, os documentos regulamentares UCI estão ao dispor de todos. Pronunciar-nos sobre o caso Pretorian Bike Race não é algo que se possa fazer como quem assobia para o ar ou manda meia dúzia de filetes para a frigideira. Deixo-vos o link e, a partir da página 21, convido-vos a ler e a comentar o caso

(http://www.uci.ch/mm/Document/News/Rulesandregulation/17/29/73/4MTB-E-1.01.2018-Final_English.pdf ).

Eu não fico indiferente ao que se passou e às decisões tomadas e assumo posição:
– se a etapa 3 foi cancelada, então a prova ficou resumida a 2 dias. Logo, o evento deixa de se enquadrar nas Stage Races, segundo as regras UCI que ditam que um evento pore tapas tenha que ser no mínimo composto por 3 dias (4.2.071 Stage races are run over at least three days, with a maximum of nine days. Only one stage per day may be run.);

– se a etapa 3 foi cancelada, independentemente do km a que tal foi feito, então não foram cumpridos os 50% necessários e que o painel de comissários, a par da Organização em “briefing” com atletas, mostrou urgência em garantir para a validação do evento e que este não tivesse que ser cancelado.

Desta, o enfoque do rescaldo da prova deve de ir, de facto, para o evento e não para a minha participação em particular. Ainda assim, porque não sou irrealista mas sou assumidamente positivista:

– Pretorian Bike Race foi “muito mais do que uma corrida”, foi a oportunidade de me conhecer melhor, como pessoa e atleta, e de conhecer melhor os elementos da equipa e fomentar esse espírito de grupo da Casa Myzé Team;

– Pretorian Bike Race serviu para praticar “contrarrelógios” em contexto de competição, inclusive – coisa que, dado as minhas características de “trepadora” e (ultra)maratonista, não exploro tanto;

– A etapa 3, mesmo tendo sido posteriormente anulada, permitiu que até à Z2 (37km) estudasse as sensações e pudesse analisar o cenário competitivo e que a partir daí, na companhia da atleta inglesa, treinasse competências nas desafiantes zonas técnicas que se seguiram num circuito bastante exigente até à meta.

«Los dos tienen razón, tanto el optimista como el pessimista… Ser optimista no garantiza unos resultados positivos, pero sí nos predispone en mayor medida a lograrlos… El pessimista ve las dificultades en cada sutuación y el optimista ve las oportunidades.» Se isto é verdade? Claro que Victor está certo! Se eu estaria mais satisfeita com pontos e uns euros na conta depois da prova? Claro que sim mas manteria a opinião fundamentada que transmiti, citando o grande atleta David Vaz: “Após este cancelamento da etapa houve atletas que foram beneficiados pois muitos saíam dos 10 primeiros da geral e com o cancelamento se mantiveram e muitos foram prejudicados pois iam subir muitos lugares na classificação geral e outros deixaram de receber prémios da etapa!!”

E hoje é segunda, felizes os que podem trabalhar, não sofrem de doença e têm quem os estime.

Agora vou treinar pois, como escreveu o David Rosa num dos seus posts nas redes sociais: “A Sorte dá muito trabalho”!

ildapereira.com Casa Myzé Team
Município de Guimarães Comunicação/ BM High Performed Train /                 Liga Portuguesa dos Direitos do Animal / Casa Myzé / Blackjack – High Performance Wheels / Motokit Qüer / Oriente No Porto restaurante vegetariano / Kroon-Oil Portugal Masac / Fisioterapeuta – Diogo Novais /        ND Tuned / Clube Ténis Guimarães – Set Point Studio / Diogo Cunha – Clínica de Implantologia e Estética Oral / Veganuary / Percepção Visual – Clínica de Emagrecimento & Beleza / Animais de Rua / Clorofila Medicina Natural Lda / Aluminium Nuno / Vila Ativa Health Club / Gosto Superior / Quinta No Parque & Lounge Bar / CJR – Cândido José Rodrigues S.A. / Cofides Competição

#casamyzeteam #ildapereiratleta #muchmorethanateam #muchmorethanarace #duplaildapereirapilarnunez #uci #mtb #animalcrueltyfreerider #vegathlete #muitomaisdoqueumaequipa #muitomaisdoqueumacorrida #atletapelosanimais

2 comentários em “Pretorian Bike Race, um caso de Marketing?”

  1. TOP Ilda ! Bem visto . Espero que os responsáveis possam ler e cumprir todo o regulamento verdadeiro e necessário para o próximo momento nao seja igual ou parecido como estes ultimos dois dias de prova !.
    Eu, por exemplo fui uma das pessoas e até prova em contrario FUI prejudicado MAS!…. Depois e de ter tentado saber a minha posição, cheguei á conclusão que o melhor seria voltar para o seio familiar . Passado algumas horas tive a sorte de alguém (amigo) que me ligou porque estava a ser chamado para pódio . Tive pena de tudo o que se passou e depois de mais de 200Km feitos de casa ao Evento nos 3 dias.
    Tenho pena tambem das pessoas(organização) que deram o litro para resultado ” um final triste” .
    Agora é continua e esquecer e respeitarem o desabafo de quem la passou e aprenderem ao corrigir o “errado, o justo/injusto!
    Foram 3 dias muitos confusos !!!!. Abraço a todos e boas pedaladas .

    1. Olá, Paulo!
      Era importante que os participantes fizessem chegar chegar à UCI uma exposição / reclamação sobre a Pretorian Bike Race. Só assim algo pode ser feito e só cumprindo o que está ao nosso alcance, enquanto participantes e atletas, pode a UCI corrigir este erro e evitar que se repita.
      Obrigada por ler o artigo e, se considerar oportuno, partilhá-lo quantas vezes achar necessário e por entre aqueles que considere útil.
      Um abraço!
      Continuação de boas pedaladas!

      Ilda Pereira

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *