A 5 dias da data de voo de regresso a Cabo Verde já a minha ansiedade me travava a respiração com um nó na garganta.

Alerta e consciente aos sinais, fui-me cuidando e tratando de fazer uma gradual e saudável despedida de todos os que me são tão essenciais – do meu Bruno mais do que qualquer outro, é verdade.
É fácil amar na saúde, na alegria e na riqueza. Desafiante é cuidar quando há risco de doença por falta de quem se ama, de tristeza de não se ter o colo, da pobreza de não poder abraçar…
É aí que se cresce! É nessas alturas que aprendemos a aceitação e a gratidão!
Assim, voltar a Cabo Verde é ter tudo aquilo e todos aqueles de quem cuido em Portugal mais tudo e todos os que me esperam no arquipélago!
Voltar a Cabo Verde é, no dia da partida de Portugal, chegar à segunda casa e receber uma mensagem de boas-vindas nestes acordes:
“🌅3 de janeiro | Primeira pedalada do ano🌅
O ano começa a rolar cedo — e começa bem.
Amanhã saímos às 6h30 da Shell de Chã D’Areia, rumo à Cidade Velha, lugar onde a nossa história começou.
Pedalar até a Cidade Velha não é só quilómetros no conta-quilómetros.
É passar por um espaço carregado de significado: o berço da nossa identidade, onde o passado lembra que tudo o que é sólido começa com um primeiro passo… ou neste caso, com uma primeira pedalada.
Depois, seguimos para a circular invertida.
Ritmo certo e moderado, cabeça limpa, pernas a acordar e espírito de grupo bem presente.
Não é sobre velocidade.
É sobre constância.
É sobre estar.
É sobre começar o ano a fazer aquilo que nos une.
Quem aparece, começa 2026 a pedalar — no corpo e na mente.
Contamos com todos!
Até amanhã.”

Esta mensagem serve de sinopse aos capítulos da minha história em Cabo Verde com este grupo de aficionados, verdadeiros amantes do ciclismo.
Quem são eles?
Bem, quem melhor (n)os conhece apresenta-(n)os assim:
“🚴♂️ Pedalada feita. Ano oficialmente inaugurado. ☕🤝
Hoje não foi só mais uma volta.
Foram 60 km de estrada, histórias, gargalhadas e pernas a trabalhar, com um grupo que prova que o ciclismo é muito mais do que pedalar.

Tivemos o Zé Maria, o nosso veterano de ouro, sempre sábio, sempre atento, a aconselhar-nos como faz com a presidência da república.
O Nenezito, polícia da tranquilidade, lembrando-nos que calma é tudo… porque até o desmaio, segundo ele, protege o corpo 😄
A Erika, bancária e influencer de moda feminina, a lançar charme e estilo — porque até no ciclismo a elegância também conta.
A Ilda (Titchilda), ex-pro de ciclismo, prof de inglês e terror do asfalto… passa por nós como se estivesse em aula prática de “how to suffer properly”.
O Max, condutor profissional, sempre no ritmo certo, porque chegar a tempo e horas é uma arte — até em cima da bicicleta.
O Fredson, informático com pernas de sprinter e verdadeiro banco de dados ambulante das provas e ciclistas da UCI.
A Glenda, desportista em modo total, seja no atletismo, no ciclismo ou no desporto escolar, sempre ligada à organização e promoção — energia que contagia.
O Ricardo, o nosso geólogo, que une o grupo como as Nações Unidas e que sprinta nas subidas como se fossem planas.
O Carlos, representante do Maio, que garante apoio a todos os que procuram uma solução adequada para a pintura das nossas casas.
O Nelson, um dos sisudos do grupo, empresário da construção civil, que pedala como quem constrói: forte e sem medo.
O Odair, outro sisudo, da área da administração e contabilidade, que não deixa nada ao acaso — nem as contas, nem o ritmo.
O Jorginho, para quem menos de 100 km é só aquecimento, sempre atento a inspecionar a Judite como manda a regra.
O Nilson, o nosso estudante finalista e cassula do grupo, que “aprendeu” a pedalar há dias… e já ninguém o segura.
O Rui, o resistente incansável, financeiro que garante pernas infinitas e contas do grupo sempre em dia.
Celso, o nosso professor de história, que para além das “parts” frequentes, é um conquistador nato e pedala que se farta.
E o Paulo, que quanto mais quilómetros melhor (quando está em forma 😄), gestor industrial e um dos grandes impulsionadores dos passeios ciclísticos, especialmente rumo ao Tarrafal.
E como manda a tradição, depois da estrada veio o pequeno-almoço de confraternização: amizade à mesa, boas conversas, reposição de forças e a certeza de que 2026 começou da melhor maneira possível.

Mais do que ciclismo, isto é grupo, união e caminho partilhado.
Venham os próximos quilómetros — porque assim, pedalar sabe ainda melhor. 🚴♂️💙”
E, o nosso “chefe-patrão”, como gosto de lhe chamar (o Paulo), continua assim:
“A pedalada de sábado já ficou na história…mas o fim de semana ainda não acabou.
Domingo, às 8h, há nova oportunidade de rolar, soltar as pernas, limpar a cabeça e começar o ano no ritmo certo.
Não pedalaste no sábado?
Este é o teu momento.
Sem pressão, sem stress — só estrada, grupo e boa energia até São Domingos.
Às vezes, tudo o que falta é aparecer… o resto vem a pedalar…🚴♂️💙”
O resto vem a pedalar.
Eu vou!
Eu tenho que ir!
Seguir, forte, firme, é pedalar com este grupo! Não é sobre watts ou PRs! É sobre aquele grupo de pessoas de bem, resolvidas, que encontram soluções, simplificam e aliviam a tensão e a pressão da obrigação da profissão!
Bem hajam! 🙏🏼
